

Tenho andado por caminhos que não sei onde vão dar. Se eu olho pros lados, nada é tão bom quanto parece. O chá esfriou, a chuva foi embora, e a claridade do sol lá fora cega meus olhos já tão cansados… Ou talvez eu já esteja cega há tempos. Ando assustada demais. Ou os fantasmas da minha alma insistem em não ir embora, ou novos chegaram pra me assombrar. Há tantos pensamentos confusos, afinal, qual deles é real ou não? Costumava acreditar em muitos deles (e em muitos sonhos), e agora não sei mais.
Ora, pensamentos confusos… Sou toda confusa. Uma grande bagunça. Um poço de caramiolas que não hão de passar… Nunca. Caramiolas e exageros. Sinto demais, falo demais, choro demais, grito demais, amo demais, dou importância demais ao que não deveria, é tudo demais, mais do que devia (ou não?). De que me vale saber afinal. De um jeito de outro sempre vou me incomodar com o barulho da rua ou o silêncio de alguém. Me incomodar, e incomodar o sossego alheio. Talvez seja essa a minha única habilidade.
Não sei em qual abismo me enfiei, nem ao menos o quão fundo ele é. Só queria conseguir sair. Só queria que quisessem que eu saísse.




